quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Um ano se vai, outro vem

Imagem de Markéta Machová por Pixabay 
                Só posso começar esse texto escrevendo: Que ano pesado da porra, essa montanha-russa de sentimentos valeu por dois anos completinhos, mas pelo menos vou terminar o ano na paz. O primeiro semestre de 2019 foi conturbado, não passei no vestibular, desisti de continuar prestando vestibular para o mesmo curso, continuei estudando em casa, o fim de dois relacionamentos e estava começando a ficar insuportável ficar direto em casa (É bom por um tempo  mas depois você começa a se achar um completo inútil), neste caso, podemos dizer que tirando as tatuagens que eu fiz em Abril o meu primeiro semestre foi bem ruim então eu prefiro lembra-lo só pelas tatuagens e por Detetive Pikachu.
                Logo no começo do segundo semestre eu recebi um e-mail (Porque a inteligência aqui tinha desativado as ligações do celular, ou seja, ELES GOSTARAM MUITO do meu currículo para terem se dado o trabalho de mandar um e-mail em vez de ligar como fizeram com todas as outras pessoas) me chamando para fazer uma prova para a vaga que eu havia me candidatado, seguida de uma entrevista presencial para uma entrevista por telefone, uma troca de gerentes e finalmente uma contratação (esse processo durou uns dois meses bem dizer completos), eu foquei toda a minha concentração nisso para ficar bem naquele momento, após isso, como é uma vaga de aprendiz eu preciso estar em algum curso, o qual eu compareço uma vez por semana, foi algo que me fez voltar finalmente para uma sala de aula já que desde 2016 que eu me formei no ensino médio isto não havia acontecido, isso me fez muito bem, o começo no trabalho foi meio instável, mas acredito que agora as coisas já estejam tranquilas, apesar das restrições de ter que retirar os piercings e tampar as tatuagens, é um exercício diário de paciência de tirar e colocar essas pequenas joiazinhas. Conheci pessoas incríveis e que se a vida deixar pretendo levar comigo nos anos a frente, uma mais próxima que as outras preferencialmente bem perto. O resultado preliminar do vestibular já saiu, acredito que eu tenha passado no curso que me candidatei, mas prefiro esperar pelo resultado oficial.
                Sinceramente, se eu tivesse focado apenas no começo do meu 2019 eu já teria desistido de tudo, o que eu espero de 2020? Coisas boas, por favor, eu realmente não nasci pra ser saco de pancada.
Texto em áudio:



Até a próxima!
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sábado, 14 de dezembro de 2019

Observar

Foto do Dan Gold do Burst

Eu não posso
Fazer-te ver com os meus olhos
Sentir com a minha pele
Pensar com meu cérebro
A vida não nos deu essa opção, imagine quantos problemas seriam solucionados se pudéssemos fazer isto? Entender o outro nunca teria sido tão fácil, quem sabe com uma dadiva dessa não existiria racismo, homofobia, machismo, você machucaria alguém que você acabou de sentir tudo como ele?
         Observar como o ser humano se comporta é uma das tarefas mais fascinantes que você pode ter, você nunca sabe como exatamente alguém vai se portar diante de alguma situação até coloca-lo nela, suposições existem mas não passam confiança. Você pode imaginar da situação mais básica como aquele seu amigo que paga de pegador pra cacete para uma mais complexa de como uma pessoa se portaria em uma situação de sobrevivência, em nenhuma das duas você tem certeza dos resultados até visualizar.
         Dado o conceito, você já observou como as pessoas lidam com os próprios sentimentos? Seria ridículo dizer que existe só uma forma de lidar ainda mais considerando como somos complexos. Existem pessoas que desabam um dia inteiro o máximo possível e no outro estão completamente perfeitas como se nada tivesse acontecido, é uma descarga emocional interessante já fiz algumas vezes e recomendo se for possível para você. Outras pessoas têm os seus momentos aos poucos, um chá às 15h e um desabar de tanto chorar às 16h, talvez uma Netflix às 19h. Um grupo que eu queria ser, mas que não me parece muito saudável é o das que engolem o que estão sentindo e você não vê uma singela reação.
Talvez em 1 milhão de anos
Nós teremos harmonia o suficiente
Sem precisar de superpoderes
Para conviver com o outro
Sem graves desgastes emocionais.

Texto em áudio:


Até a próxima!



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sábado, 9 de novembro de 2019

Queer as Folk


                Estou escrevendo esse texto no comecinho de maio (Para vocês verem que tem texto que às vezes eu escrevo em um ano e publico no outro) e eu terminei de assistir “Queer as Folk”, sim, uma série lançada em 2000 eu tinha 1 ano na época e hoje em dia eu tenho 20, é uma série LGBT mais focada no G mas com uma certa frequência no L, definitivamente é uma série que você provavelmente não se sentiria confortável de assistir com a sua família, não porque é LGBT mas do nada vai pular uma cena de sexo pesado na sua cara, principalmente se falarmos de Brian.
                Brian é meu personagem favorito da série, ele simplesmente não se importa com o que você tem a dizer, ele é o Brian e faz o que der na telha, o egocentrismo dele é cativante e não deixa a desejar, claro, dependendo do seu ponto de vista você pode achar ele um grande filho da puta, mas eu gosto de acompanhar personagens assim e falar da evolução dele durante a série seria um grande spoiler ainda mais que a quase grande mudança dele na ultima temporada seria um choque para quem estiver assistindo a primeira.
                Justin é o artista/par romântico de Brian na série, pode se dizer que os dois possuem um relacionamento bem aberto, o que acaba sendo um problema para Justin ao decorrer da série porque talvez não seja exatamente isso que procura para o resto da vida. Tirando seu drama com Brian, boa parte do seu desenvolvimento é focado na sua parte profissional que são seus desenhos que chega até a expor na galeria que Lindsay trabalha e a sua revista em quadrinhos feita juntamente com Michael.
                Lindsay juntamente com Melanie é a parte forte do L nessa trama, retrata a dificuldade que pais LGBTs enfrentam em ter filhos, a visão das pessoas de fora com essa decisão e seus pais não reconhecendo o relacionamento de dez anos das duas. É uma relação que sofre diversos problemas durante a série, até mais graves do que os de Brian e Justin. Outras participações fortes de Melanie é ela atuando como uma advogada excepcional, chegando quase a ser útil até mesmo para Brian que vive brigando.
                A série tem muitos personagens interessantes que são principais ou não, eu escrevi sobre os que eu mais gostei de acompanhar não que eu também não tenha amado os outros temas que a série tenha abordado com os outros, inclusive um que engloba todos os personagens que foi uma quase eleição de um presidente homofóbico que iria dificultar muito a vida dos LGBT, chegando até a ter sua campanha feita por Brian, mas depois de notar que seria extremamente prejudicial até mesmo para si, Brian faz de tudo para derrubar a popularidade do quase presidente, como estamos falando de ficção o péssimo presidente não chega a se eleger, sabemos que na vida real obtivemos resultados diferentes que estão nos afetando até hoje.

Texto em áudio:



Até a próxima!
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sábado, 26 de outubro de 2019

Os Milagres do Cão Jerônimo / Alçapão para Gigantes


            Antes de tudo um pequeno contexto: Quem é Péricles Prade?
Péricles Prade nasceu em Rio dos Cedros, Santa Catarina, a 7 de maio de 1942. Escritor (poeta, contista, historiador, crítico Literário e de artes plásticas), advogado e professor universitário. Escreveu mais de sessenta obras nos campos da poesia, ficção, história, filosofia, literatura e artes plásticas. Pertence a inúmeras entidades culturais estrangeiras, nacionais e estaduais.

            O livro em questão como você pôde ver no titulo é o “Os Milagres do Cão Jerônimo / Alçapão para Gigantes” são contos extremamente fantasiosos puxados para o surrealismo, sem uma narrativa logica em boa parte, é basicamente algo que você poderia acabar sonhando em um dia qualquer e acordaria pensando “Nossa, como minha mente chegou a este ponto?”. Na primeira parte temos uma criança com olhos de abelhas ferozes, cavalos voadores que não deveriam se exibir, “cantoras” paraliticas, narrativas religiosas, sapatos como aquário-cidade, dentaduras com vida própria, peixes suicidas, monges pedófilos, animais, punhais, tapetes, prostitutas, tatus com catarata, pernas azuis e por fim um cão que cospe fogo.

Alçapão para Gigantes

            Segue a mesma linha de contos fantasiosos, possui alguns mais longos do que da primeira parte como um unicórnio de asas sendo mantido em uma jaula de vidro adequada a seu crescimento, mas se eu contar tudo que tem nesta parte que graça vai ter para você?

Texto em áudio:



Até a próxima!

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sábado, 14 de setembro de 2019

“O Cemitério dos Vivos”

            “O Cemitério dos Vivos” é um livro doloroso, é o retrato de algo que não mudou muito, o quanto nós afastamos os nossos próximos quando estão com algum problema psicológico? Fechamos os olhos e fingimos que não vimos.
            Este livro é uma parte da vida do escritor Lima Barreto, mas que no mesmo se denomina Vicente Mascarenhas, ele narra duas idas ao hospício, sendo que na primeira passou muito pouco tempo e na segunda chegou a pensar que se mataria se voltasse a ser mandado para o hospício, não era de uma loucura extrema, mas às vezes se entregava ao álcool e acabava sendo recolhido caído na calçada, vergonha. Boa parte do tempo tentava passar lendo na biblioteca ou no seu quarto, em ambos ele acaba tendo que migrar devido aos outros pacientes ficarem o perturbando, falando neles, tentavam conversar e alguns claramente estavam mentindo, todos com níveis de doentes diferentes, alguns vagavam pelo hospício e só tinham poucos episódios de loucura já outros chegaram até a jogar coisas do telhado nas pessoas que passavam na rua, Vicente os observava atentamente, lia jornais e fumava seu cigarro, não sabia quanto tempo ficaria por lá.
            Lembrava-se da sua vida fora do hospício, onde morou, da sua falecida esposa que enquanto viva ele nunca a entendeu, nunca parou para admira-la de verdade, só foi entender tudo depois que ela já havia morrido, se arrependeu e muito. Teve um filho com ela mas não sentia orgulho, o pequeno nada aprendia e desandava de chorar quando tentavam lhe ensinar, até as professoras falavam que ele era muito bonzinho mas não entediam porque o menino não aprendia, Mascarenhas se sentia incapaz.


Quem foi “Lima Barreto”?

Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu no Rio de Janeiro no dia 13 de maio de 1881. Teve uma infância difícil, pois, perdeu a mãe cedo e seu pai logo apresentou problemas psicológicos. Foi apadrinhado pelo ministro do império, Visconde de Ouro Preto, o que o fez estudar em escolas de grande desempenho, acabou ingressando na Escola Politécnica, mas acabou tendo péssimas notas e eventualmente desistindo por causa dos problemas de saúde do seu pai, precisava cuidar dele, dos seus irmãos além de financeiramente. Em 1903 já estabilizados vira concursado na Secretaria de Guerra e aí começa sua jornada na imprensa. Sua primeira obra foi “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” e a sua mais aclamada foi “Triste fim de Policarpo Quaresma”, logo após é a fase de “O Cemitério dos Vivos”, depois do tratamento, aparentemente curado ele retorna as suas atividades rotineiras, mas com o retorno dos episódios psicológicos ele decide se aposentar por invalidez. Lima morre no dia 01 de novembro de 1922 por problemas cardíacos.

Texto em áudio:



Até a próxima!


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sábado, 10 de agosto de 2019

Um Útero É do Tamanho de um Punho (Resumo?)


Suas emoções já se reviram só por ler o titulo “Um Útero É do Tamanho de um Punho”, você sabe que esse livro vai mexer com você de alguma forma, boa ou ruim. Não há uma historia em si para que eu possa resumir, eu teria que resumir a vida da mulher, brasileira ou de boa parte do mundo? Algumas vezes argentina.
Você é uma mulher limpa ou uma mulher suja? A mulher limpa é a mulher boa, a gorda incomoda principalmente se estiver bêbada. O que você quer com essa roupa além de chamar a minha atenção? Com certeza só pode ser isso. Porque as mulheres ficam em casa cuidando dos filhos, mas as mulheres também voltam tarde dos seus trabalhos.
A crítica aos papeis de gênero está mais do que clara nas mãos de Angélica, seria desonesto dizer que não, um pequeno toque LGBT+ porque seria impossível falar de mulheres fielmente sem tocar nesse assunto também, quem entendeu, entendeu, quem não entendeu leia novamente.

diz-me com quem te deitas


Eu preciso escrever mais alguma coisa ou você vai descobrir sozinho?

Até a próxima!
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sábado, 13 de julho de 2019

As vezes eu queria desistir de tudo


Posso me levantar todos os dias e ver o sol brilhando, meus animais felizes correndo pelo quintal enquanto fervo o chá, mas isso tudo faz sentido? Se você abrir qualquer fonte de noticias a proporção de ruins para boas é extremamente maior, vale a pena viver sendo indiferente a tudo que está acontecendo? Por quanto tempo nós conseguimos?
Podemos ser otimistas e pensarmos que tudo vai ficar bem, eventualmente os problemas serão resolvidos apesar da demora e a clara exclusão como algumas fatalidades são tratadas. Ignore tudo que está acontecendo ao redor do mundo, realmente podem não estar ao seu alcance considerando toda a merda politica sendo jogada no ventilador, mas existe algo que esta no seu alcance e provavelmente também está em crise: Você.
Você está fazendo o que gosta ou apenas acordando e gastando seu tempo olhando as redes sociais para o tempo passar mais rápido? Eu não sou um ser humano perfeito, você também não, eu faço isso e já pensei inúmeras vezes em excluir todas ou quase todas, talvez isso me desse ironicamente uma liberdade maior, mas eu aguentaria ou entraria em uma crise ainda maior? Existem inúmeras coisas que eu gostaria de aprender ou que eu preciso aprender, mas elas acabam sendo empurradas para longe enquanto a minha cabeça decide que talvez eu não possa compreender e seja melhor ficar parada mesmo, talvez eu não mereça. Quem sabe eu esteja gastando o meu, o seu tempo com as minhas próprias angustias que eu deveria aprender a lidar em vez de escrever sobre elas, ou quem diria, essa seja a minha forma de lidar com elas?
Querendo ou não, tudo que eu escrevo faz parte de mim de alguma forma, pode já não fazer mais, mas em algum momento fez, em algum momento pode ter sido tão doloroso que eu só escrevi na esperança que passasse na esperança de distrair a minha cabeça, às vezes escrever pode só aumentar a intensidade dos pensamentos, mas pode te deixar mais leve também.
Eu cresci no mundo digital e pode se dizer que passo a maior parte do tempo nele, não vamos negar que atualmente se você tem um celular você consegue ler livros, ver vídeos, filmes, series, escutar musicas, ler noticias, jogar, estudar,  criar projetos, entre outras coisas sem ao menos trocar sua ferramenta, você só precisa de alguns toques, eu me pego pensando se essa facilidade é saudável  ou se me faz mais mal do que bem.
Ao voltar alguns textos você poderá ver que uma das piores experiências da minha vida foi trabalhar com telemarketing, mas eu estaria mentindo se falasse que não passou pela minha cabeça que talvez fosse mais benéfico que eu tivesse me mantido na função ou se seria prejudicial igualmente, talvez outro trabalho seja ideal, mas ao mesmo tempo posso ter um conflito mental de que preciso de tempo para outras coisas e caso trabalhe não terei tempo ou animo para fazer essas outras coisas.
Às vezes viver é uma droga e eu já pensei inúmeras vezes em desistir de tudo, mas eu continuo aqui.


Até a próxima!
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